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PRONUNCIAMENTO NA JUBILAÇÃO DO MINISTÉRIO PASTORAL - PR AGEO SILVA – 7.5.2023

Queridos irmãos e amáveis ovelhas deste rebanho,


Para falar de meu ministério pastoral, preciso contar a história de minha vida e de minha família.

Meus pais foram Joaquim Silva e Sebastiana Correa de Lacerda Silva, que eram crentes em Jesus quando eu nasci. Assim, nasci em lar cristão evangélico, que me fez filho de crentes. Em 1957, aos 15 anos, fiz a minha decisão por Jesus, em Osasco, que me fez filho de Deus.

Com a morte de meu pai por infarto, em 12/1959, eu me tornei Arrimo de Família com 17 anos de idade com a responsabilidade de cuidar de minha mãe e mais 5 irmãos: a Ruth, com 15 anos; a Irene, com 12; o Elias, com 10; a Edna Maria, com 5 anos e o caçula Eliseu, com 7 meses. Deus realmente é fiel! Não obstante as dificuldades financeiras que enfrentamos, cumpriu-se em nossa família a Palavra de Deus dita pelo salmista: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão.” (Salmos 37.25).


Minha formação foi o Colegial Clássico, Técnico em Contabilidade e de Bacharel em Direito. Sou da 1ª Turma da Faculdade de Direito de Osasco. Em 1978, iniciei o curso de Teologia na Faculdade Batista, mas não o conclui. Tranquei a matrícula no 2º ano, pois estava sobrecarregado com trabalho no Banco, família, Igreja e o curso de Teologia. Fiz isso com a orientação de Deus.


Com 6 anos e meio de namoro e noivado, eu a Leila Motta Silva nos casamos, em 9.7.1966, e tivemos seis filhos: Júlio Fernando, Raquel Luciana, Raphael Leonardo, Telma Regina (natimorta), Aglei Rebeca e Moisés Augusto. Em 1992, adotamos um bebê recém-nascido em uma favela, o João Marcos, falecido de tuberculose três meses depois de sua chegada em nossa casa. Temos 6 netos naturais e 5 adotivos e 2 bisnetos.

Aos 14 anos de idade, em 1.10.1956, ingressei no Bradesco, na Cidade de Deus, como Aprendiz de Contínuo. Graças a Deus, fiz carreira profissional no Banco galgando a escala de cargos e chegando a Diretor, em 3/1982, e a Diretor Vice-Presidente Executivo, em 3/1992. Com satisfação, guardo a recordação de ter exercido a Presidência do Banco em duas oportunidades, nas férias do Presidente, Sr Lázaro de Mello Brandão.


Fato relevante sobre meu chamado ministerial e meu trabalho no Banco: Em visita minha e da Leila à irmã Mariazinha, profetiza do Senhor, no início da nova Igreja, quando ela ficara viúva, lemos a bíblia, demos uma palavra de consolação e oramos. Ao terminar a oração, ela me disse: “O Senhor tem uma Palavra para o irmão!”. Voltamos a orar e o Senhor a usou para dizer: “Eu te quero lá naquele lugar (no emprego) para testemunho do meu Nome perante autoridades deste País...”. Eu não havia comentado nada com ela sobre este assunto. Eu e a Leila orávamos para saber de Deus sobre como seria meu ministério, se de tempo integral ou parcial... Com esta Palavra, avisei a Igreja que me cobrava uma posição.


Fui dirigente de Entidades do setor financeiro e pude, de fato, testemunhar a várias pessoas sobre a fé em Jesus.


Na minha juventude, fui presidente dos Jovens na IPI, na Vila Yara.

No início do ano de 1970, estava agendada minha saída de férias do trabalho e programamos a viagem. Tínhamos o Júlio Fernando, com 2 anos e 4 meses, e a Raquel Luciana, com 2 meses.

Uma semana antes da saída de férias, meu chefe me avisou que minhas férias estavam suspensas, justificando que havia trabalho com o que ele contava comigo. É evidente que não gostei.

Até então eu não sabia que Deus estava no controle de toda e qualquer situação. Deus usou os reis Artaxerxes, Nabucodonosor, Ciro, Dario e outros para abençoar o povo de Israel, por que não poderia usar meu chefe incrédulo para nos abençoar?! O chefe me deu o restante da semana de carnaval, de 4ª feira até 6ª feira, como consolação.

Ficamos sabendo da Estância Palavra da Vida. Reservamos a estada e fomos. No programa diário constava o café da manhã, e às 11h00 culto com estudo bíblico, almoço, tarde livre, jantar e culto à noite. O tema de estudos daquela semana era Escatologia: Arrebatamento da Igreja, Grande Tribulação, Milênio e Juízo Final. Havia outras mensagens nas devocionais. A mensagem que mais impactou o meu coração foi “Deus não tem netos; Deus só tem filhos!”. Mexeu comigo.

Chegando em casa e na Igreja, comentamos sobre nossa experiência para a família. Uma palavra que recebemos foi que “acampamento é sempre assim... voltam animados mas depois vira fogo de palha...”, ao que respondíamos que era para valer.


Como líder dos jovens – da UMPI – consultamos o Conselho da Igreja sobre a possibilidade de realizarmos uma Série de Conferências Evangelísticas na Igreja sob o tema “Deus não tem netos; Deus só tem filhos!”. Informado sobre o pregador escolhido, Rev. Joaquim Correa de Lacerda, da IPB-Presidente Prudente, o Conselho nos autorizou. As conferências seriam em maio de 1970. Precisávamos de preparação espiritual em oração. Consultamos os jovens e não conseguimos agendar nenhum horário para a reunião de oração. Numa atitude desafiadora, avisei aos jovens que a reunião de oração pelas Conferências seria na nossa casa, na sexta-feira, a partir das 23h30, depois que os estudantes saíssem de seus cursos. Quem quisesse e pudesse ir, lá estaríamos orando. Eu fazia o curso de Direito. Na 1ª reunião, tivemos 6 jovens, nós de casa e mais 4, e foi crescendo chegando a 60 pessoas! A reunião durou 20 anos em nossa casa. Aleluia!


Eu era professor de Jovens na EBD e a classe começou a aumentar o número de participantes; a Leila era diretora do Departamento Infantil. Foi em um desses domingos que recebemos a visita na EBD do jovem Adolar Missé, marido da Gabriela, que participava das reuniões de oração. Ele veio para matar a curiosidade; naquela manhã, ele se rendeu a Jesus e O recebeu como seu Salvador e Senhor. Depois, tornou-se o Pastor Adolar Missé, da IEJA.


No carnaval de 1971, numa caravana de 28 jovens da IPI-VY, participamos do 1º Encontro de Avivamento Espiritual da IPI, em Assis, SP. Ali conhecemos o Pr Nilton Tuller, que passou a ser meu conselheiro espiritual no início da Igreja. Deus nos abençoou sobremaneira. Voltamos de Assis incendiados pelo Poder do Espírito Santo.


A IPI de Vila Yara estava crescendo com novos membros convertidos. O grupo se identificou com o Movimento de Avivamento Espiritual que estava acontecendo no Brasil em várias denominações históricas: Presbiteriana, IPI, Batistas, Metodistas e outras. Não demorou muito para sofrermos restrições, chegando ao ponto de formalização de processo eclesiástico disciplinar.

Por decisão do Supremo Concílio da IPI e transmitido pelos Presbitérios, os membros do grupo de oração – identificado como pentecostal, avivado, renovado, carismático –foi excluído da IPI em abril de 1972 e cada um de nós recebeu uma carta informando da exclusão de seu do rol de membros por divergências doutrinárias. Graças a Deus que o motivo não foi pecado!


O grupo de excluídos não tinha para onde ir e se reunir. Em 7 de maio de 1972, o grupo iniciou as reuniões da Igreja nascente nas dependências da casa do irmão Antônio Alcebíades de Castro, neste endereço. Ele não era do grupo, mas simpatizante com a Obra de Avivamento. Éramos em 35 irmãos ex-membros da IPI-VY e mais 35 crianças, nossos filhos.

Em maio, o grupo elegeu a 1ª Diretoria da nova Igreja. então filiada à IPIR. Fui seu presidente de 6/1972 até 1/2017, quando passei o Cajado de Pastoreio e Presidência para o Pr Clovis Aparecido Delgado.


Fui ordenado Ministro do Evangelho como Pastor, em 30.8.1975, na Igreja Evangélica de Pinheiros, em culto ministrado pelo Pr Walter Rodrigues, que com o Pr Mário Bovi impuseram as mãos sobre mim, ordenando-me ao ministério do Evangelho como Pastor. E assim tenho servido ao Senhor até hoje.


Recebi muitas vidas que atenderam ao apelo para receberem Jesus como Salvador e Senhor, celebrei centenas de batismos, dezenas casamentos, dedicação ao Senhor de dezenas de crianças, várias bodas de prata e de ouro e oficiei dezenas de funerais.


De junho a outubro de 1972, construímos o 1º templo para 150 pessoas, com bancada própria. As classes da EBD funcionavam no salão de cultos, na sala e na garagem da casa do Sr Antonio.

Para a Glória de Deus, em maio de 1985, lançamos a Pedra Fundamental da construção deste templo, edifício para a EBD e Escolas e administrativo e, em maio de 2000, tivemos sua inauguração, depois de 15 anos de construção.

Paralelamente, a IEVY abriu e implantou igrejas em várias localidades:

Em 3/1973, em Jiparaná, RO, transferida para a IPR; em 1973, Jardim Rochdalle; em 9/1977, Presidente Prudente, SP; em 5/1980, Jardim Veloso, Osasco; em 4/1981, Iguape-SP; em 8/1981, Carapicuiba, SP, vizinha da COHAB; em 12/1981, Canguera, São Roque (encerrada); em 4/1982, Taquarituba-SP; em 7/1987, São Roque, SP; em 11/1988, Jardim Santo Antônio, em Osasco; em 8/1989, Bom Jardim - Gleba G - Jiparaná, RO, transferida para a IPR; em 7/1990, Marco de Canaveses, em Portugal; em 1992, Parque Santa Tereza, em Carapicuiba, iniciando no Conjunto dos Metalúrgicos, em Osasco; em 1996, Itaí, SP; em 1996, Itapeva, SP; em 1/2004, São João do Rio do Peixe, PB; em 5/2004, Mondim de Basto, em Portugal; em 1/2006, Caririaçu, CE; em 1/2012, Santa Helena, PB.

A Igreja está atualmente com cerca de 4000 membros, considerando a Sede, as Congregações e igrejas emancipadas.


A IEVY desde sua fundação demonstrou vocação missionária. Em 15/11/1972, no Dia Nacional de Jejum e Oração, oramos colocando-nos à disposição de Deus para enviar e sustentar missionários onde o Senhor quisesse. Em dezembro de 1972, conhecemos nosso 1º candidato a missionário, João Maria Correa, aqui ordenado pastor em 3/1973, e enviado com sua família, esposa e 3 filhos pequenos, para Jiparaná, em Rondônia, em março de 1973.

Em 6/1979, instituímos o “Chamado Macedônico”, inspirados na 2ª viagem missionária do apóstolo Paulo, relatada em Atos 16.9 e 10: “À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos. Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho.” (Atos 16.9,10). Em 12/1987, passamos a publicá-lo em O FAROL.


Em 9/1983, realizamos a 1ª Conferência Missionária da IEVY, com a participação de várias organizações missionárias e Missionários. Tivemos outras Conferências posteriormente.


Em 18 de setembro de 1987, lançamos a 1ª Edição de O FAROL como Boletim Informativo Dominical para publicação de meditações, avisos, aniversários de interesse dos membros da Igreja. Foi impresso em mimeógrafo, equipamento que esta geração não conhece. Como marca do propósito de perseverança, dedicação e amor no serviço ao Senhor, nestas 1788 semanas o FAROL não deixou de ser publicado nenhuma vez! Não falhou! A Deus seja toda a Glória! Graças a Deus, podemos repetir “EBENÉZER! Até aqui o Senhor nos ajudou!”. Encerramos sua publicação com a edição Nº 1788, de 6.2.2022, depois de 34 anos e 5 meses de publicação ininterrupta!


Em 3/1992, a IEVY criou o FAMPOSE – Fundo de Assistência aos Missionários, Pastores, Obreiros e Seminaristas Ebenézer com a finalidade de amparar nossos obreiros quando de seu desligamento da IEVY, ajudar na compra ou construção da casa própria, comprar seu 1º carro, dar assistência cirúrgica e dentária, em virtude de nossos Obreiros eclesiásticos serem autônomos e não regidos pela CLT. Tem sido de grande utilidade e bênção para nossos obreiros.


Em 1992, a IEVY fundou a Associação Evangélica Beneficente, Assistencial e Educacional – EBENÉZER, para cuidar da beneficência da IEVY na comunidade e ser a mantenedora das Escolas de Ensino ­Fundamental e Médio do Instituto de Ensino Ebenézer. Infelizmente, em 12/2016, encerramos as atividades das Escolas por desiquilíbrio financeiro.


Recebi o título de Cidadão Paulistano, outorgado pela Câmara Municipal de São Paulo, em 10/1998 e entregue em maio de 2007, aqui na IEVY. Recebi o título de Cidadão Osasquense, em 5/2012, outorgado pela Câmara Municipal de Osasco, igualmente entregue aqui na IEVY.

De uma coisa tenho plena convicção e usando a palavras do Senhor Jesus: “Não fostes vós que escolhestes a mim, mas EU vos escolhi a vós e vos designei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça...” (João 15.16). Deus tem sido Fiel nestes anos todos e abençoado minha vida, de minha família e a Igreja no poder do Espírito Santo. Deus nos tem dado frutos permanentes.


Fato importantíssimo que faço questão de destacar aqui e agora: a participação efetiva, constante, imprescindível, preciosa, valorosa e sempre presente de minha querida esposa Leila Motta Silva ao meu lado. Reconheço a importância de seu ministério de esposa de pastor ao meu lado. Deus nos usou como casal, desde o início, para pastorear o rebanho da IEVY por 53 anos. Presto aqui minha sincera homenagem e rendo a minha profunda gratidão pelo seu companheirismo participativo no ministério. A quem honra, honra!


A minha gratidão também aos meus filhos que nunca manifestaram vergonha, contrariedade ou insatisfação por serem filhos de pastor, o que acontece com muitos! Louvo a Deus pela vida de cada um deles e pela fé salvadora em Cristo na vida de cada um deles!

A Deus sejam a glória, o louvor, a honra e a gratidão!

Se Deus me desse condições físicas para fazer tudo o que foi feito, eu me colocaria à disposição dEle para fazê-lo novamente.

Com amor, humildade, temor e tremor diante do Todo-Poderoso,


Pastor Ageo Silva

(7 de maio de 1972 – 7 de maio de 2023)

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